CPLP comemora 5 de Maio – Dia da Língua Portuguesa e da Cultura debatendo ciência e inovação

5 de maio cplpQuestionamentos e desafios deram a tônica da comemoração do “5 de Maio – Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP”. Partindo do tema proposto, ‘A Língua Portuguesa na Ciência e na Inovação’, o Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (SECPLP) convidou expoentes destes campos, na última terça-feira, para uma mesa redonda no encontro. Instituída em 20 de julho de 2009, por meio de resolução da XIV Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, esta edição da comemoração teve palco no Auditório da Sede desta entidade, em Lisboa-Portugal.

Após a apresentação da mesa aos demais convidados, o Prof. Dr. Sandro Mendonça, professor auxiliar do ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) e moderador do encontro, deu início às falas lembrando a todos o tema do evento, ‘A Língua Portuguesa na Ciência e na Inovação’, e ressaltando a importância da língua como uma “plataforma de entendimento. Uma metáfora(…), mas também uma ferramenta de conhecimento, que é um aspeto novo que a CPLP nos convoca”, explicou Mendonça.

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Prof. Dr. Clélio Campolina Diniz, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil.

O primeiro palestrante a se pronunciar foi o Prof. Dr. Clélio Campolina Diniz, ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, que fez uma análise do papel da língua portuguesa na ciência e na inovação com base pela sua experiência de mais de trinta anos, desde setores governamentais à academia – nesta como investigador e reitor. Segundo ele, “estamos a viver na era/economia do conhecimento, que se encontra alicerçada e sustentada” na ciência com encadeamentos para a sociedade e a geopolítica mundial.

Segundo Campolina Diniz, esse conhecimento é produzido e distribuído da educação, nomeadamente universitária, para o setor produtivo: as economias do mercado. Em referência à educação ligada à inovação como fenômeno ímpar e resultante de um processo linear no pensamento, o ex-ministro salientou que não basta aceitar essa linearidade de forma cabal, temos que refletir e pensar conjuntamente se essa linearidade – educação, ciência tecnologia e inovação – se pode constatar de fato.

Ao mesmo tempo, Campolina alertou para a hegemonia do inglês (sob a alçada dos países de expressão inglesa, nomeadamente os Estados Unidos e o Reino Unido) na produção científica e tecnológica, e absoluta necessidade de elevar o português (embora um desafio) a competir com esta: “não podemos deixar de reconhecer a posição em que estamos e o que podemos fazer para aproveitar essas oportunidades para avançar”. Segundo ele, o caminho para a educação, ciência e tecnologia de futuro nos países de língua portuguesa é ampliar a integração da comunidade CPLPiana, destacando os recursos (financeiros) e a vontade política.

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Prof. Carlos Cardoso, Diretor do Departamento de Pesquisa do CODESRIA (Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciência Social em África) e Coordenador da Iniciativa Especial para a África Lusófona.

Em seguida, o Prof. Carlos Cardoso, Diretor do Departamento de Pesquisa do CODESRIA (Conselho para o Desenvolvimento da Pesquisa em Ciência Social em África) e Coordenador da Iniciativa Especial para a África Lusófona, participou no debate partindo de sua perspetiva e experiência como investigador das ciências sociais. Ele defende a afirmação da língua como vetor da produção científica está refém, no caso do português, de uma incapacidade dos países de expressão portuguesa para colaborarem mutuamente: Portugal e o Brasil tendem a colaborar mais com os dois gigantes epistemológicos – os Estados Unidos e o Reino Unido – do que propriamente entre si e/ou com países da África e Timor Leste.

O coordenador da Iniciativa Especial para a África Lusófona lembra que, embora o inglês seja um condicionante da internacionalização do conhecimento de ponta, da inovação e (novas) tecnologias, pensadores Africanos têm contestado este papel limitador de África no mundo globalizado do conhecimento. Ele explica que o papel da integração regional é pertinente, sendo as redes de pesquisa e o financiamento (na forma de bolsas – 780 para novas candidaturas a bolsas do CODESRIA em 2014) questões chaves. Segundo Cardoso, espaços concretos tardam a chegar, então como alcançar tal integração? “Como passar da palavra à ação?”, questionou Cardoso ao final.

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No centro da mesa, o Prof. Dr. Sandro Mendonça, professor auxiliar do ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) e moderador do evento.

Ao final dos pronunciamentos, foi servido um “porto de honra” e, a convite do moderador, Prof. Sandro Mendonça, todos os presentes brindaram o Dia da Língua Portuguesa e iniciaram um momento mais informal de confraternização.

Mais detalhes e fotos estão disponíveis no Portal da CPLP. Confira o vídeo do evento (é preciso estar logado no Facebook).

Por: Carla Paiva (presente no evento representando a Ripes) e Aloísio Menescal

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Apresentação do grupo Batoto Yetu, no pátio da CPLP.

 

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Apresentação do grupo Batoto Yetu, no pátio da CPLP.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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