Diretora do Instituto da Língua Portuguesa defende Visão Pluricêntrica em palestra na Unilab

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O Anfiteatro da Unilab, no Campus da Liberdade, serviu de palco, no último dia 26, para a palestra “Por uma Visão Pluricêntrica da Língua Portuguesa”, que faz parte da 2ª Edição do Programa de Educação Tutorial (PET): Pesquisadores de Humanidades e Letras. Feita a convite da Pró-Reitoria de Relações Institucionais (Proinst) da Unilab, a apresentação ficou a cargo da diretora do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), a professora doutora Marisa Mendonça, de Moçambique.

Formada em Línguas pela Universidade Pedagógica de Moçambique e Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Marisa Mendonça também é membro da Comissão Nacional do IILP e Diretora da Faculdade de Línguas da Universidade Pedagógica de Moçambique.

__IMG_2757Iniciada a palestra, Marisa Mendonça afirma que propõe, por meio de sua gestão à frente do IILP, uma visão pluricêntrica da Língua Portuguesa, distanciada do eurocentrismo e preocupada com as realidades dos países africanos que receberam esta língua e a desenvolveram conforme seus contextos específicos. Apresentou à plateia o IILP e seus princípios de funcionamento, com ênfase na gestão compartilhada e na utopia, lembrando que “a utopia é o sonho que nos move, que quer tornar-se realidade – a Unilab é um exemplo de uma utopia que já foi realizada”, complementa.
Apesar de apontar como bússola do IILP os planos de ação formulados em Brasília e Lisboa, a diretora do instituto defende um entendimento da Língua Portuguesa (LP) como uma propriedade comunitária, pertencente a toda a humanidade mas, em especial, a quem a usa no dia a dia. Tal posicionamento se evidencia, segundo a professora Marisa, na atuação do IILP em projetos como:

  • Vocabulário Ortográfico Comum – VOC (voc.iilp.cplp.org) – iniciativa que busca montar um trabalho lexicográfico cooperativo e horizontal da LP nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, o que propicia um entendimento mais amplo das variações e mesmo a frequência com que termos específicos ocorrem dentro da CPLP (além de estimular, em paralelo, a pesquisa de línguas nacionais anteriores à colonização);
  • Portal do Professor de Português e Língua Estrangeira – PPPLE (ppple.org) – página que oferece recursos multimídia para auxiliar o ensino de línguas (LP), com produção local e inserida no contexto (social, histórico, político e cultural) de cada um dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP);
  • Revista Platô (iilp.cplp.org) – publicação que agrega reflexões em colóquios promovidos pelo IILP e textos temáticos acerca da LP;
  • Terminologias Científica e Técnica Comuns – TCTC – iniciativa que promoverá estudos para o estabelecimento de uma base terminológica sistematizada e comum para a CPLP;
  • Plano de Leitura da CPLP – projeto que visa responder à necessidade de conhecimento literário mútuo dentro da CPLP, enfatizando a produção cultural dos PALOP e difundir um conhecimento subjetivo retratado com propriedade por autores locais.

__IMG_2705Marisa Mendonça foi taxativa ao defender movimento de olhar para a Língua Portuguesa com respeito. “Precisamos colocar definitivamente o português falado na África no mapa, garantindo seu devido espaço lado a lado com Brasil e Portugal”, sublinha.

A pesquisadora encerrou sua palestra lendo o texto transcrito a seguir:

Rompamos as barreiras visíveis e invisíveis, naturais e artificiais
Rompamos fronteiras desnecessárias e transformemos nosso mundo-língua
Num mundo de fronteiras de vidro transparente
Pintado com as cores quentes do arco-íris
Com o cheiro e os aromas dos nossos sotaques tantos e tantos
Com o fado e o samba, a marrabenta, a morna, o semba e todos os outros nossos ritmos
Celebrando nossos momentos
Nossas Conquistas
Nossa língua!
Estaremos nós, sempre nós, gerando sonhos e utopias
Convocando forças, recursos e sinergias,
Descobrindo novas bússolas, novos trilos,
Que guiem nossos caminhos diferentes
E nossos caminhos comuns
Iremos nós, sempre nós, todos nós,
Num nós gigante e real
Iremos mais ricos, mais fortes, mais singulares e plurais
Porque demos e recebemos
Porque deixamos e levamos
Nossas crenças, nossos sonhos,
Nossas experiências, nossas visões.
Iremos mais ricos e mais nós
Movidos pelo motivo maior que nos une
A Língua Portuguesa
Língua de todos nós!

Após o final da apresentação, a professora doutora Leia Menezes, do Instituto de Humanidades e Letras (que também integrou a mesa), agradeceu a convidada por sua palestra e fez questão de registrar sua surpresa e entusiasmo com as ferramentas e projetos do IILP ali apresentados. “Vou procurar conhecer cada uma”, acrescentou.

___IMG_2747Questionada pelo professor Cássio Rubio sobre como é a visão do IILP quanto às relações entre as línguas maternas de cada PALOP e a Língua Portuguesa, Marisa afirmou que o Instituto “acompanha de perto esta dinâmica e promove discussões em seus colóquios e por meio do incentivo ao ensino bilíngue, por exemplo”.
A partir de pergunta do professor Edson Borges sobre que outras linguagens ou meios são explorados pelo IILP na promoção da Língua Portuguesa, a professora esclareceu que o Instituto disponibiliza no PPLE materiais em diversas plataformas (conteúdo escrito, ilustrado, de áudio e vídeo) para o uso de professores e de qualquer público interessado. Uma iniciativa que também é apoiada pelo IILP é como o DOC CPLP incentiva a manifestação subjetiva local dentro da linguagem audiovisual.

__IMG_2755Marisa ainda outra iniciativa que “o IILP realizará em 09 e 10 de dezembro deste ano: o evento Aprender e Ensinar Português com Prazer – que inclui uma oficina com crianças do ensino básico para a composição de músicas e elaboração de conteúdos que podem ser explorados no ensino da LP”.

Mais detalhes sobre o trabalho do IILP estão disponíveis nos links: iilp.cplp.org, voc.iilp.cplp.org e ppple.org.

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Fonte: RIPES

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